
EDITORIAL | O Brasil não precisa de vira-latas — Precisa de vergonha na cara
É inacreditável. O maior inimigo do Brasil não está fora das nossas fronteiras. Ele veste verde e amarelo quando convém, posa com a bandeira para foto, bate no peito dizendo "patriota" e, no minuto seguinte, torce contra o próprio país. Sim, essa gente existe. Gente que quer ver o Brasil sangrar só para provar um ponto político ou ideológico. Gente que implora por sanções estrangeiras, que sonha com intervenção internacional, que se comporta como vira-lata adestrado esperando a ordem do gringo.
A decisão de Trump de impor 50% de tarifa sobre produtos brasileiros expõe, de uma vez, a farsa de várias narrativas. A extrema direita brasileira, que vive repetindo slogans sobre patriotismo e soberania, aplaude o líder estrangeiro que ataca diretamente a economia nacional.
O agronegócio — que posou de aliado estratégico de Trump e Bolsonaro — agora sente no bolso o custo de ter confundido afinidade ideológica com vantagem comercial. Patriotismo de joelhos tem prazo de validade. Trump jogou o luminol que não revela marcas de sangue, mas da hipocrisia dessa gente.
Querem destruir o país? Não precisam de bomba. Basta a mentalidade submissa e o complexo de colônia de quem acredita que os Estados Unidos ou a Europa são donos da verdade. O brasileiro que torce contra o Brasil é o que há de mais covarde, pequeno e desprezível. Alimenta-se deste solo, bebe desta água, vive do suor de trabalhadores humildes — e ainda assim acha bonito ajoelhar diante de interesses externos, mendigando punições contra a própria pátria.
Dentro do país, o cenário é ainda mais revoltante. De um lado, temos os fanáticos do ex-presidente que passaram quatro anos aplaudindo fake news e idolatrando o cercadinho. Do outro, os que acreditam que carisma, marketing e promessas de palanque do “descondenado” resolvem fila de hospital e botam comida na mesa. De um lado, a cegueira. Do outro, a ilusão. Nenhum dos dois entregou o que prometeu. Nenhum dos dois teve coragem de fazer o que o Brasil precisava. Ambos se especializaram em dividir o país, alimentar ódios e mentir.
E vamos ser claros: eu não sou de direita e nem de esquerda. Não sou Lula e muito menos Bolsonaro. Na minha opinião, o primeiro nunca deveria ter saído da cadeia, e o segundo jamais deveria ter entrado na presidência. Mas se a justiça fosse justa, os dois deveriam seguir o mesmo rumo: cadeia. Um já tem experiência, o outro está no caminho.
A máquina pública continua sendo um covil de oportunistas. O Estado não produz nada — só arrecada. Imposto sobre tudo, taxa sobre o pouco que temos. Enquanto isso, quem está lá dentro vive como se fosse dono do mundo. É o único "negócio" do país que nunca quebra, mesmo sendo um fracasso crônico. Cobra e recebe. Cobra e recebe. E ainda quer mais.
E a população? Essa continua sendo a vítima silenciosa. Trabalha, envelhece e morre nas filas do SUS. As escolas públicas mal ensinam a ler. A segurança virou sorte. E o salário é uma piada que ninguém ri. E ainda há quem repita o mantra de que “o governo é bom para os pobres”. Só se for pra manter o pobre exatamente onde está: pobre e dependente.
E para piorar, muitos dos que se dizem “honestos”, “de Deus” e “patriotas” são os primeiros a roubar quando surge oportunidade. Superfaturam, mentem, desviam — e depois vêm com a bíblia debaixo do braço e o hino na garganta. Hipocrisia virou carreira política.
Estamos às portas de mais uma eleição em 2026. Mais uma guerra de narrativas, de promessas falsas, de ódios e paixões políticas. E enquanto os fanáticos se estapeiam nas redes sociais, o Brasil real sangra.
Mas ainda há esperança. O Brasil hoje tem um bom nome: Tarcísio de Freitas. Um gestor técnico, equilibrado, que pensa no país. Mas para ter chance real de mudar as coisas, precisa primeiro se livrar do encosto — o câncer chamado família Bolsonaro. Porque quem anda com morcego, uma hora acorda de cabeça pra baixo.
Chega de idolatria política. Chega de torcer contra o próprio país como se fosse final de campeonato. O Brasil precisa de gente que trabalhe, que pense, que tenha vergonha na cara e amor pela pátria.
Se você torce contra o Brasil, você não é oposição. Você é inimigo.
Diga não ao vira-lata adestrado. Diga sim à soberania, à justiça — e à vergonha na cara.