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Brasil COVID-19

Com Bolsonaro empurrando vermífugo, laboratório fatura alto com a covid-19

O faturamento do laboratório Vitamedic com a venda de ivermectina saltou de R$ 15,7 milhões, em 2019, para quase R$ 470 milhões no ano passado

12/08/2021 11h25 Atualizada há 3 semanas
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Por: Redação
Com Bolsonaro empurrando vermífugo, laboratório fatura alto com a covid-19

O faturamento do laboratório Vitamedic com a venda de ivermectina saltou de R$ 15,7 milhões, em 2019, para quase R$ 470 milhões no ano passado. Nesse período, explodiram as vendas do vermífugo. O laboratório admitiu que não fez estúdios para atestar a eficácia do produto contra a doença, mas gastou R$ 717 mil em anúncios defendendo a mentira de que tratamento precoce com ivermectina funciona contra a covid.

Isso é mais uma evidência de que a extensão da duração da pandemia através da sabotagem perpetrada pelo presidente da República nas medidas de combate à doença permitiu que muita gente faturasse um bom cascalho. Em outras palavras, a morte foi um bom negócio.

 

Em depoimento à CPI da Covid, Jailton Barbosa, diretor da empresa, reconheceu aumento de 60% no preço do medicamento. Credita a elevação à variação no dólar e no crescimento de custos internos relacionados à pandemia. Afirmou que não vendeu o produto ao Ministério da Saúde, mas despejou diretamente nas prefeituras.

Essa expansão comercial contou com uma ajudinha. O presidente Jair Bolsonaro se tornou garoto-propaganda do uso de um vermífugo para tratamento precoce contra o coronavírus.

O Ministério da Saúde, do general Eduardo Pazuello, chegou a enviar terraplanistas biológicos para pressionar a Prefeitura de Manaus a distribuir hidroxicloroquina e ivermectina. E deixou de monitorar um insumo que realmente faz diferença, o oxigênio. Com isso, uma catástrofe atingiu a cidade e muitas pessoas morreram sufocadas.

Na esmagadora maioria dos casos, nosso sistema imunológico é capaz de dar conta da doença, produzindo anticorpos e eliminando o coronavírus. Ao apontar um remédio ineficaz como solução para casos leves, o presidente está, na verdade, tentando roubar o mérito por algo que o organismo já faria por conta própria.

E isso cola em uma parte desavisada da população. Afinal, o que tem mais a cara de ser responsável por vencer uma guerra contra uma doença mortal: estruturas microscópicas que cada um tem dentro de si, os glóbulos brancos, ou um produto milagroso distribuído com pompa e circunstância pelo sistema de saúde que é alvo de elogios semanais do presidente em suas lives? E os que morrem? Bem, como o próprio presidente disse, todo mundo morre um dia.

O problema é que a ivermectina tem efeitos colaterais, como foi destacado na CPI da Covid. E pessoas tiveram problemas graves no fígado por conta do uso do medicamento sugerido pelo presidente da República que levou a um laboratório a faturar centenas de milhões.

A Sociedade Brasileira de Infectologia, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), ou seja, quem representa o pessoal que está na linha de frente, afirmam que não há tratamento precoce contra a covid.

Até a Merck, empresa farmacêutica que produziu inicialmente a ivermectina, divulgou um comunicado afirmando que seus cientistas procuraram, mas não encontraram evidências que justificassem o emprego do medicamento no tratamento da covid-19.

O produto é ótimo contra determinados parasitas, mas não para infecções causadas pelo Sars-Cov-2. E deve ter o uso limitado em idosos, exatamente um dos grupos mais vulneráveis para covid e, por isso, mais vulnerável ao canto da sereia das saídas milagrosas.

Atribui-se a Joseph Goebbels, ministro da Propaganda na Alemanha nazista, a ideia de que uma mentira repetida várias vezes se torna verdade. Ou, como dizem os psicólogos, uma ilusão da verdade. A ilusão é tanto eficaz quanto a propensão de grupos de nela acreditarem. E, claro, da capacidade de difusão de quem a conta.

Propagada por um presidente da República, a mentira pode se tornar onipresente. A ponto de ser encarada como mais um detalhe na paisagem. Assim como a morte, em uma pandemia, em um país sem governo.

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