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Brasil COVID-19

Diabetes pode ser uma sequela da Covid-19, diz endocrinologista

Pesquisas indicam que quem tem predisposição para a doença pode desenvolvê-la ao ser infectado pelo coronavírus

31/05/2021 16h18 Atualizada há 1 semana
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Por: Redação
Diabetes pode ser uma sequela da Covid-19, diz endocrinologista

A diabetes é uma das comorbidades de maior risco para a Covid-19, e, de acordo com a médica endocrinologista e presidente da Sociedade de Endocrinologia Regional de Mato Grosso do Sul, Ana Carolina Xavier, é possível, sim, que pacientes que tiveram a Covid-19 desenvolvam a diabetes.

“Pesquisas têm mostrado que pacientes podem desenvolver a doença enquanto estão infectados com a Covid-19, mesmo sem ter tido esse diagnóstico previamente. Os médicos e pesquisadores ainda estão especulando vários fatores que podem justificar isso”, afirma a especialista.  

Um exemplo dessas pesquisas foi um artigo publicado no jornal Diabetes, Obesity and Metabolism (Diabetes, Obesidade e Metabolismo, em tradução livre), que diz que a doença pode ser uma sequela da Covid-19.

Após mais de um ano do primeiro registro da doença, os cientistas continuam com as pesquisas para tentar entender a Sars-Cov-2 e suas sequelas. 

A diabetes já é uma doença que agrava os casos de infectados pela Covid-19 por vários motivos. Segundo a médica, um deles é o uso dos medicamentos necessários para ajudar a estabilizar o paciente em estado grave.

O uso desses medicamentos podem tanto agravar o quadro quanto desenvolver a doença em pacientes que já apresentavam a predisposição a ela.

“A diabetes é considerada um fator de risco para a evolução de formas graves da Covid-19. Isso se explica pelo fato de os pacientes com diabetes já terem uma resposta inflamatória diferente para combater o vírus. O paciente com diabetes já tem um prejuízo na questão cardiológica, por exemplo, e a resposta no combate ao vírus pode ser dificultada”, explica.

CORTICOIDE

Outra questão que pode influenciar e agravar a infecção do coronavírus é quanto ao medicamento usado quando o paciente está internado, em casos graves.

“Quando o quadro infeccioso do paciente é grave, geralmente é usado corticoide, o que pode piorar a diabetes ou até iniciar a diabetes em pacientes que tenham alguma tendência à doença, isso porque são utilizadas doses elevadas do medicamento, que tem muita glicose”, explica a endocrinologista. 

Os pesquisadores analisaram 3.711 pacientes infectados com a Covid-19 em oito estudos diferentes. A conclusão foi que 14,4% das pessoas, o que representa uma em cada dez, foram diagnosticadas com diabetes após se recuperarem do coronavírus. 

No artigo publicado ainda em novembro de 2020, os autores explicam que, embora o recém-diagnóstico de diabetes em pacientes com Covid-19 possa ser atribuído ao estresse associado à forma grave da doença, ou até mesmo aos glicocorticoides utilizados para o tratamento, é preciso considerar o efeito diabetogênico da doença, que causa a diabetes. 

“A diabetes é uma doença que está relacionada à situação de estresse. Alguns precisam dessa situação de estresse para desencadear a diabetes. Também especula-se que o vírus da Covid-19 tenha algum efeito na secreção de insulina, talvez até mediada pelo receptor da angiotensina II [peptídeo que auxilia no aumento da pressão arterial], que está sendo usado para explicar a infectividade maior do vírus em alguns pacientes, como os obesos”, explica a endocrinologista.

“As duas doenças têm muita relação, sim, e muito ainda deve ser estudado. Mas já sabemos que o uso de alguns medicamentos para tratar os sintomas do coronavírus pode tanto agravar o quadro de pacientes diabéticos quanto desenvolver a doença em pacientes que não tinham a tendência de desenvolver a doença”, conclui Ana Carolina.

O estudo conclui que os relatórios recentes mostraram que a diabetes recém-diagnosticada pode conferir um risco maior de mau prognóstico da Covid-19 do que a ausência de diabetes ou diabetes preexistente. 

Desse modo, pacientes com Covid-19 que foram diagnosticados com a outra doença devem ser tratados precocemente e de forma adequada, sendo monitorados de perto para o surgimento de diabetes e outros distúrbios cardiometabólicos em longo prazo.

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