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Mato Grosso do Sul COVID-19

Depois de marido fugir para visitar esposa, casal tem alta juntos

Na última sexta (14) Valdemir deixou oxigênio, subiu 3 andares, e foi conferir como estava a esposa Albertina

19/05/2021 18h39 Atualizada há 3 semanas
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Por: Redação
Depois de marido fugir para visitar esposa, casal tem alta juntos

Por conta da covid-1, Valdemir Antônio Gonçalves de Souza, de 49 anos, ficou internado 10 dias, já Albertina Luiza Flores, de 48 anos, ficou 12. Os dois, casados há 30 anos, estavam no Hospital Regional, mas agora podem desfrutar da tranquilidade do lar, já que receberam alta na manhã desta terça-feira (19). 

O casal ficou conhecido após a fuga de Valdemir na última sexta-feira (14), quando ainda estavam internados. Preocupado com a situação da esposa, o marido criou um plano cinematográfico para vê-la, cronometrando o tempo do elevador que o levaria até o quarto dela, três andares acima, e quanto tempo ele aguentava sem o oxigênio 

"Eu estava desesperado. Eu olhava para minha situação, via que não estava bem, e ficava pensando nela. Quando subi e vi que ela estava melhor que eu até, isso me deu força e pensei "agora tenho que lutar"", lembra o sorridente Valdemir falando com nossa reportagem já do conforto de sua casa. 

A filha, Juliana Estefany Souza, de 28 anos, quem relatou a fuga do pai, agora fala aliviada com os dois em casa. "Eles ainda precisam recuperar a disposição, mas isso conforme os médicos é conforme o tempo".

Ela também explica que a alta dos dois juntos foi uma coincidência. "Meu pai teve alta primeiro, logo no início da manhã, como as equipes médicas eram sepaadas, não necessariamente minha mãe iria sair também, ela até chorou ao saber que poderia focar sozinha no hospital. Porém, logo depois fomos avisados pelos médicos dela que também teria alta, nem acreditamos de tanta felicidade".

Valdemir teve 50% do pulmão comprometido, já Albertina 70%. "Eu estou no paraíso em casa. Foi uma experiência indescritível, nessa hora a gente vê o peso da família", comemora o marido.

A fuga -  Valdemir, que inicialmente estava tratando da doença em casa,  foi levado às pressas para o posto de saúde quando a filha percebeu que ele estava com os lábios roxos. "Do jeito que ele chegou, já internou e a médica pediu vaga para o Regional', recorda Juliana.

"Meu pai não tinha visto ela desde o dia em que ela ficou internada, então ele perguntou de todos os jeitos e conseguiu descobrir o quarto dela", relata Juliana. Valdemir estava no quarto andar e a esposa, no sétimo.

No quarto que ficava exatamente em frente para o elevador, o marido sabia que três andares separavam o casal, alguns metros e a necessidade dele ficar no oxigênio constantemente.

"Ele passou o dia inteiro cronometrando quanto tempo o elevador levava para chegar do quarto até o sétimo andar e quanto tempo sem oxigênio ele aguentaria em pé para ir até o quarto dela", narra.

O trajeto era longo, e nas palavras da filha, o pai precisou andar bastante. "Ele disse que ia dar certinho para chegar no leito e pegar o oxigênio dela, e que era só para ele vê-la". Com um copo de água nas mãos, o pai contou à filha que fingiu que ia até a lixeira para que os enfermeiros não desconfiassem e assim que a porta do elevador abriu, ele entrou.

Juliana havia acabado de chegar ao quarto da mãe quando olhou para trás e viu o pai. "Eu disse: 'meu Deus, da onde o senhor veio?' E ele só juntou uma mão com a outra, quase que desfalecendo e pediu: 'deixa eu ver ela'", reproduz a filha.

O marido abraçou e beijou a esposa sem dar muita bola para o exército de enfermeiras que estavam desesperadas atrás do paciente em fuga. "Eu falei: 'pai, pelo amor de Deus, você está com oxigênio' e ele me disse: 'calma, filha, o pai tá bem, eu cronometrei tudo, tenho mais alguns minutos'

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