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Brasil COVID-19

Vacinados ainda podem transmitir o vírus e adoecer, mas têm risco menor de morte

Para ter efeito no organismo, a substância precisa de pelo menos 14 dias após a segunda dose para se estabelecer (quando o imunizante é aplicado em duas injeções)

09/04/2021 06h16 Atualizada há 3 semanas
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Por: Redação
Vacinados ainda podem transmitir o vírus e adoecer, mas têm risco menor de morte

As vacinas contra a Covid-19 aprovadas para aplicação na população são seguras e eficazes para proteger quem as recebe –os estudos clínicos realizados com milhares de pessoas, usando públicos diferentes, comprovaram isso e foram a base para a liberação do uso dos imunizantes.

Grupos de cientistas monitoram constantemente os efeitos das substâncias e emitem alertas caso as vacinas ofereçam algum risco.

Em primeiro lugar, as vacinas não garantem 100% de eficácia contra o coronavírus Sars-CoV-2, como qualquer tratamento de saúde. Conforme aumenta o número de vacinados no país, surgem relatos de pessoas que receberam o imunizante e pegaram a doença logo depois, chegando a desenvolver a Covid-19 na forma grave e até morrendo por complicações da doença.

Um caso que chamou a atenção nos últimos dias foi o do cantor Agnaldo Timóteo. O artista foi internado com a Covid-19 dois dias depois de ter tomado a segunda dose da vacina, o que indica que a infecção pode ter acontecido entre as duas injeções, quando a proteção ainda não está completa. O cantor morreu no dia 3 de abril aos 84 anos de idade.

Para ter efeito no organismo, a substância precisa de pelo menos 14 dias após a segunda dose para se estabelecer (quando o imunizante é aplicado em duas injeções). Mesmo com a imunização completa, a alta circulação do vírus no Brasil e as novas variantes, ainda pouco estudadas, fazem o risco de infecção crescer, apesar das vacinas.

É importante lembrar que as vacinas não causam a doença. Elas carregam um antígeno, um pedacinho do vírus ou o vírus inteiro inativado –incapaz de gerar infecção– que aciona nosso sistema imunológico para criar barreiras contra o vírus verdadeiro. Sintomas como febre e dores após a vacinação são comuns e indicam que o sistema imunológico está trabalhando.

Os estudos contam com milhares de participantes, mas quando começo a aplicar a vacina em milhões de pessoas, vão aparecer aqueles que desenvolvem a doença grave. O que os estudos dizem e o que vemos é que quem recebe a vacina tem um risco menor de adoecer", afirma Sonia Raboni, infectologista do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR/Ebserh).

Pessoas mais velhas e com algumas comorbidades não fazem parte dos primeiros grupos a entrarem nos estudos com as vacinas. Geralmente, são incluídos depois e em menor número. Segundo Raboni, o grupo de pessoas mais velhas, que têm um sistema imune mais debilitado, pode ter respostas mais fracas à vacina.

De acordo com Ethel Maciel, epidemiologista e professora na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), os estudos clínicos são feitos em ambientes mais controlados, com mais adultos saudáveis.

"Quando vamos para a vida real, temos pessoas com outras comorbidades e condições. Já esperávamos que essas pessoas poderiam se infectar. E agora precisamos de estudos que acompanhem o que acontece com essas pessoas", afirma.

Maciel diz que ainda há poucos grupos acompanhando os efeitos das vacinas nos brasileiros. Segundo a epidemiologista, o Ministério da Saúde deveria oferecer financiamento para pesquisas que identifiquem as linhagens dos vírus que infectam as pessoas no país e as comorbidades de quem tomou o imunizante e mesmo assim adoeceu. Esse conhecimento vai ajudar a entender onde a vacina pode falhar e elaborar as soluções.

Hoje, temos pouco mais de 10% da população brasileira imunizada, e os números da Covid-19 no país mostram que o vírus circula livremente, fazendo mais vítimas do que nunca.
"Diante de um universo de dezenas de milhares de novos casos diários e do aumento gradual, ainda que lento, do percentual de indivíduos vacinados, é esperado que ocorra cada vez mais casos de infecção em vacinados", afirma a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) em nota publicada em sua página de internet.

Para os especialistas, a vigilância dos cientistas sobre a dinâmica da doença e as medidas preventivas, como uso de máscara, o distanciamento social e a higiene das mãos, devem ser reforçadas agora. "As vacinas diminuem o risco, e os estudos mostram que as chances de desenvolver a doença grave depois de tomar o imunizante são bem menores, mas ainda temos poucos dados publicados", diz Maciel.

É incontestável que existe uma lacuna de dados em decorrência da necessidade de aprovar com agilidade as vacinas para a contenção da maior crise sanitária do século. Mas todas as notificações estão sendo acompanhadas e investigadas pela vigilância. Precisamos aguardar a publicação dos dados da avaliação da efetividade das vacinas na vida real e possíveis falhas vacinais", concorda a nota da SBIm.

Em alguns organismos, essa proteção pode nunca ficar completa, por isso é importante ter o maior número de pessoas vacinadas para que a circulação do vírus diminua drasticamente e os riscos sejam menores para todos.

"Temos dois objetivos com as vacinas: primeiro, queremos diminuir os riscos de internação e óbitos. Outro objetivo é diminuir a transmissão, mas ainda não temos certeza se essas vacinas disponíveis fazem isso. Com essa capacidade, poderíamos chegar a uma imunidade coletiva, isto é, com mais pessoas imunizadas, cada vez menos pessoas vão adoecer", diz Maura Salaroli, infectologista e gerente médica da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Sírio-Libanês.

Assim, até termos um bom número de pessoas vacinadas no país (alguns pesquisadores dizem que essa parcela precisa estar acima de 70% da população) e pudermos observar claramente os efeitos da campanha, todos os cuidados preventivos devem continuar em vigor.

"Nenhuma pandemia da história foi controlada sem isolamento social e quarentenas. Precisamos reduzir o contato entre as pessoas até que as vacinas cheguem à população e tenhamos um bom tratamento contra a doença", diz a infectologista Sonia Raboni, da UFPR.

"Agora, a melhor vacina é a que chegar primeiro no braço do cidadão. No futuro, poderemos chegar à conclusão de que uma pode ser melhor do que a outra em alguns casos, mas agora todas são boas para a diminuição dos casos e mortes", diz Salaroli, do Sírio-Libanês.

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